Métodos contraceptivos: conheça suas opções e escolha a melhor para você
- medicinaatualrevis
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A escolha entre os diferentes métodos contraceptivos é uma etapa importante do planejamento familiar.
Com tantas opções disponíveis, entender as características, eficácia e possíveis efeitos colaterais de cada método ajuda homens e mulheres a tomarem decisões conscientes e seguras para evitar uma gravidez não planejada.
Neste artigo, vamos explorar os principais métodos contraceptivos e suas particularidades.
O que são métodos contraceptivos
Os métodos contraceptivos são estratégias utilizadas para evitar a gravidez. Eles atuam impedindo a ovulação, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ou a implantação do óvulo fecundado no útero. Podem ser temporários ou permanentes, variando conforme o desejo da pessoa ou do casal.
Classificação dos métodos contraceptivos
Os métodos contraceptivos podem ser classificados em:
Hormonais
De barreira
Dispositivos intrauterinos (DIU)
Métodos comportamentais
Métodos definitivos
Cada um deles possui características próprias que influenciam a eficácia e a praticidade no uso.
Métodos hormonais
Os métodos hormonais são amplamente utilizados por mulheres que desejam evitar a gravidez de forma eficaz e controlada.
Eles atuam por meio da liberação de hormônios sintéticos, geralmente estrogênio e/ou progestina, que impedem a ovulação, dificultam a penetração dos espermatozoides no útero e alteram o endométrio, tornando-o inadequado para a implantação.
Exemplos de métodos hormonais:
Pílula anticoncepcional combinada: deve ser tomada todos os dias no mesmo horário. Contém estrogênio e progestina. Exemplo: Selene®, Diane 35®, Yasmin®. Se usada corretamente, sua eficácia é superior a 99%, mas, na prática, erros no uso reduzem essa taxa para cerca de 91%.
Pílula de progestina isolada (minipílula): ideal para mulheres que não podem usar estrogênio, como lactantes ou mulheres com histórico de trombose. Deve ser tomada sem pausas. Exemplo: Norestin®.
Adesivo transdérmico: libera hormônios pela pele e deve ser trocado periodicamente. Exemplo: Evra®.
Anel vaginal: inserido na vagina por 3 semanas, com uma semana de intervalo. Libera estrogênio e progestina. Exemplo: NuvaRing®.
Injeções hormonais: podem ser mensais (combinadas) ou trimestrais (apenas progestina). Exemplo: Depo-Provera®, com eficácia acima de 94% em uso típico.
Implante subdérmico: pequena haste inserida sob a pele do braço, liberando progestina continuamente por até 3 ou 5 anos. Exemplo: Implanon®, Nexplanon®. É um dos métodos mais eficazes, com menos de 1 gravidez a cada 1000 usuárias ao ano.
Os métodos hormonais podem causar efeitos colaterais como náuseas, cefaleia, alterações de humor e menstruação irregular, mas muitas mulheres os toleram bem e relatam benefícios como melhora da acne e alívio da TPM.
Dispositivos intrauterinos (DIUs)
O DIU é um dos métodos contraceptivos mais eficazes e duradouros. Existem dois tipos principais:
DIU de cobre: não contém hormônios e age liberando íons de cobre, que tornam o ambiente uterino hostil ao espermatozoide. Pode ser usado por até 10 anos. Exemplo: DIU TCu 380A.
DIU hormonal (SIU): libera progestina localmente, afinando o endométrio e dificultando a passagem dos espermatozoides. Pode reduzir ou até suspender a menstruação. Dura entre 3 a 6 anos, dependendo do modelo. Exemplo: Mirena®, Kyleena®.
Ambos devem ser inseridos e retirados por um profissional de saúde. São métodos altamente eficazes (acima de 99%) e de baixa manutenção.
Métodos de barreira
Os métodos de barreira impedem fisicamente que os espermatozoides alcancem o útero. São menos eficazes que os métodos hormonais ou o DIU, mas têm a vantagem de não interferirem no sistema hormonal.
Preservativo masculino: feito de látex ou poliuretano, é o único método que previne gravidez e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Deve ser usado corretamente em todas as relações. Exemplo: camisinhas preservativo comum.
Preservativo feminino: dispositivo inserido na vagina antes da relação. Menos comum, mas eficaz quando usado corretamente.
Diafragma e capuz cervical: dispositivos de silicone que cobrem o colo do útero. Devem ser usados com espermicida. Requerem adaptação e orientação profissional para inserção correta.
Esponja anticoncepcional: contém espermicida e é colocada na vagina antes do sexo. Eficácia moderada e menos comum no Brasil.
Métodos comportamentais
Os métodos comportamentais baseiam-se no monitoramento do ciclo menstrual e na abstinência durante o período fértil. Têm eficácia mais baixa, especialmente quando não aplicados corretamente.
Tabelinha (método do ritmo): A mulher evita relações nos dias férteis com base no calendário menstrual.
Coito interrompido: O homem retira o pênis antes da ejaculação. É um dos métodos menos eficazes.
Método da temperatura basal e muco cervical: envolve observar alterações fisiológicas para identificar a ovulação. Exige muito conhecimento e disciplina.
Métodos definitivos
Esses métodos são indicados para quem não deseja ter filhos definitivamente. São considerados permanentes:
Laqueadura tubária: Cirurgia que bloqueia as trompas de Falópio, impedindo que o óvulo encontre o espermatozoide.
Vasectomia: Cirurgia que bloqueia os canais deferentes, impedindo a liberação de espermatozoides no sêmen.
Ambos os procedimentos são seguros e com eficácia próxima de 100%. Apesar de reversíveis em alguns casos, essa possibilidade não é garantida.
Contracepção de emergência
Utilizada após relações desprotegidas, a contracepção de emergência deve ser vista como exceção, não regra. A mais com um é a pílula do dia seguinte. Ela Contém alta dose de progestina. É mais eficaz quando tomada nas primeiras 72 horas. Exemplo: Levonorgestrel®.
Como escolher o melhor método contraceptivo
A escolha do método contraceptivo ideal deve ser feita com base em uma avaliação individualizada, levando em consideração diversos fatores relacionados à saúde, estilo de vida e objetivos reprodutivos de cada pessoa. A idade, por exemplo, influencia na fertilidade e na tolerância a determinados métodos.
Mulheres jovens que ainda desejam ter filhos no futuro podem optar por métodos reversíveis e de longa duração, como os DIUs ou implantes. Já aquelas que não desejam mais engravidar podem considerar métodos definitivos, como a laqueadura.
As condições de saúde também são fundamentais para a escolha segura. Mulheres com hipertensão, diabetes, histórico de trombose ou enxaqueca com aura devem evitar alguns métodos hormonais combinados, como certas pílulas anticoncepcionais. Nesses casos, métodos não hormonais ou com apenas progestina podem ser mais indicados.
Outro ponto importante é o desejo de ter filhos no futuro. Métodos de longa duração e reversíveis são excelentes para quem quer adiar a maternidade, mas com a possibilidade de engravidar quando desejar.
Por outro lado, os métodos definitivos devem ser reservados para quem tem convicção da decisão de não ter mais filhos, pois sua reversão não é garantida.
A frequência das relações sexuais, a rotina de uso e a facilidade de adesão também devem ser consideradas. Algumas pessoas preferem métodos que exigem pouca manutenção, como injeções trimestrais ou DIUs, enquanto outras sentem-se mais seguras com métodos que oferecem controle diário, como a pílula.
Além disso, o acesso ao método e os custos envolvidos também influenciam a decisão.
Independentemente do método escolhido, é fundamental conversar com um profissional de saúde. A avaliação médica permitirá identificar contraindicações, esclarecer dúvidas sobre eficácia e orientar sobre os possíveis efeitos colaterais.
Uma escolha bem-informada contribui não apenas para a eficácia do método, mas também para o bem-estar e a autonomia da pessoa que o utiliza.
De forma resumida, a decisão deve considerar:
Idade;
Condições de saúde;
Desejo de ter filhos no futuro;
Frequência de uso;
Facilidade de adesão ao método.
A consulta com um profissional de saúde é essencial para avaliar riscos, benefícios e contraindicações.
Conclusão
Com tantas opções, os métodos contraceptivos oferecem liberdade e segurança para mulheres e homens. Conhecer suas vantagens, desvantagens e taxas de eficácia é o primeiro passo para fazer uma escolha informada e responsável.
E lembre-se: apenas o preservativo protege contra ISTs, mesmo quando outros métodos estão sendo usados.