Nova hipótese sobre a obesidade relaciona a doença a processos evolutivos e respostas inflamatórias
- medicinaatualrevis
- 13 de mar.
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A crescente epidemia de obesidade ao redor do mundo tem levado cientistas a buscar novas explicações sobre suas causas além dos fatores ambientais e comportamentais já conhecidos.
Os pesquisadores brasileiros Mário Saad e Andrey Santos, renomados cientistas da área de genética, apresentaram uma teoria inovadora que sugere que a obesidade pode ter raízes evolutivas, ligadas a mecanismos de defesa contra infecções desenvolvidos ao longo da história humana.
De acordo com Saad e Santos, a chave para entender a disseminação da obesidade pode estar no conceito de metainflamação — um estado de inflamação crônica de baixo grau, intimamente ligado ao metabolismo e associado a doenças como diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.
A hipótese dos pesquisadores sugere que determinados genes, selecionados ao longo de períodos históricos marcados por epidemias infecciosas, poderiam estar contribuindo para o acúmulo excessivo de gordura corporal no mundo moderno.
A evolução da resposta inflamatória e a obesidade
A teoria proposta se baseia na ideia de que, durante séculos, a sobrevivência a infecções graves dependia de respostas inflamatórias robustas. Indivíduos cujos organismos eram capazes de ativar rapidamente mecanismos imunológicos para combater infecções tinham maior probabilidade de sobreviver e transmitir seus genes.
No entanto, em um cenário moderno, onde a prevalência de doenças infecciosas diminuiu, esses mesmos mecanismos podem estar promovendo um estado inflamatório crônico que favorece o armazenamento de gordura corporal.
A metainflamação, portanto, seria uma herança genética dessas adaptações evolutivas. O acúmulo de tecido adiposo, que desempenha um papel no sistema imunológico ao liberar substâncias inflamatórias, poderia ser uma resposta biológica antiga que se tornou disfuncional diante das mudanças no estilo de vida, na dieta e na longevidade da população atual.
Impacto da metainflamação na saúde e na prevenção
Além de contribuir para o desenvolvimento da obesidade, a metainflamação está associada a diversas doenças metabólicas e cardiovasculares, incluindo resistência à insulina, hipertensão arterial e aterosclerose. O reconhecimento de que a obesidade pode ser influenciada por mecanismos biológicos antigos abre novas possibilidades para estratégias de prevenção e tratamento da obesidade.
Essa perspectiva sugere que abordagens convencionais, como dietas hipocalóricas rígidas e exercícios físicos de alta intensidade, como dietas restritivas e exercícios físicos intensos, podem não ser totalmente eficazes para algumas pessoas, já que a predisposição genética inflamatória pode tornar mais difícil a perda de peso.
Dessa forma, pesquisas sobre intervenções personalizadas, incluindo terapias anti-inflamatórias e modulação da microbiota intestinal, poderiam ajudar a combater a obesidade de maneira mais eficaz.
Novas direções para a pesquisa e o tratamento
A hipótese de Saad e Santos reforça a necessidade de um olhar mais amplo sobre as causas da obesidade, considerando não apenas os fatores ambientais e comportamentais, mas também aspectos genéticos e evolutivos. Estudos adicionais são necessários para comprovar e aprofundar essa relação entre imunidade, inflamação e metabolismo.
A ciência tem avançado na compreensão do papel dos genes na regulação do peso corporal, e a metainflamação pode ser um elo fundamental para explicar por que algumas pessoas são mais propensas a ganhar peso do que outras.
Com a continuidade das pesquisas nessa área, novas estratégias terapêuticas poderão ser desenvolvidas para reduzir o impacto da obesidade e melhorar a saúde da população global.
Essa nova abordagem pode levar a mudanças significativas na maneira como entendemos a obesidade, permitindo o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes que levem em conta a complexidade da interação entre evolução, genética e ambiente moderno.