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Obesidade: um dos principais desafios de saúde pública no mundo



menino no médico medindo a circunferência abdominal para tratar obesidade

1. Introdução

A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, que pode comprometer a saúde e reduzir a qualidade de vida dos indivíduos afetados. É considerada um dos principais desafios de saúde pública no mundo, com uma prevalência crescente em diferentes faixas etárias e regiões. A obesidade resulta de um desequilíbrio energético entre a ingestão calórica e o gasto metabólico, influenciado por fatores genéticos, ambientais e comportamentais. Além disso, foi recentemente reconhecida como uma doença metabólica inflamatória crônica, impactando diretamente o sistema imune e endocrinológico, além de estar associada a diversas comorbidades metabólicas, cardiovasculares e oncológicas.


2. Definição e Diagnóstico da Obesidade


A obesidade é definida como um excesso de tecido adiposo, sendo o Índice de Massa Corporal (IMC) o principal parâmetro utilizado para classificação:

  • Peso normal: IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m².

  • Sobrepeso: IMC entre 25 e 29,9 kg/m².

  • Obesidade grau I: IMC entre 30 e 34,9 kg/m².

  • Obesidade grau II: IMC entre 35 e 39,9 kg/m².

  • Obesidade grau III (Mórbida): IMC ≥ 40 kg/m².

As diretrizes mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que o IMC deve ser complementado com outros métodos para uma avaliação mais precisa, como a circunferência abdominal, o percentual de gordura corporal e a bioimpedância elétrica, permitindo uma análise mais fidedigna do risco metabólico do paciente. Medidas adicionais incluem:

  • Circunferência abdominal: risco elevado quando >102 cm (homens) e >88 cm (mulheres), sendo um indicador importante de obesidade visceral.

  • Relação cintura-quadril (RCQ): um marcador de risco cardiovascular quando >1,0 (homens) e >0,85 (mulheres).

  • Índice de Adiposidade Visceral (IAV): ferramenta emergente na predição de risco metabólico, superando a sensibilidade do IMC na identificação da obesidade disfuncional.


3. Etiologia e Fisiopatologia


A obesidade decorre da interação complexa entre fatores genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais, sendo que estudos recentes apontam que alterações epigenéticas também desempenham um papel significativo no desenvolvimento da obesidade ao longo da vida. Entre os principais fatores envolvidos, destacam-se:

  • Genética: Estudos em gêmeos sugerem que a obesidade tem um componente genético significativo. Mutações no gene do receptor de melanocortina 4 (MC4R), leptina e FTO têm sido associadas a maior predisposição à obesidade.

  • Inflamação Crônica: O tecido adiposo produz citocinas pró-inflamatórias (IL-6, TNF-α), contribuindo para resistência à insulina e aterogênese. A obesidade é considerada um estado de inflamação crônica de baixo grau, o que predispõe o indivíduo a doenças cardiovasculares e síndrome metabólica.

  • Eixos Hormonais: A leptina e a grelina são hormônios fundamentais no controle da fome e da saciedade, enquanto a insulina e o cortisol impactam diretamente o armazenamento de gordura. A disfunção desses eixos leva à manutenção do excesso de peso.

  • Microbiota intestinal: Estudos recentes demonstram que a composição da microbiota intestinal influencia na extração calórica dos alimentos e na regulação do metabolismo. Disbiose intestinal tem sido associada ao desenvolvimento da obesidade e resistência insulínica.

  • Padrões de Sono e Estresse: A privação do sono e o aumento dos níveis de cortisol devido ao estresse crônico contribuem para a desregulação do metabolismo e aumento da adiposidade.


4. Classificação da Obesidade


Além da classificação tradicional baseada no IMC, diretrizes recentes introduziram os fenótipos da obesidade, permitindo um melhor direcionamento terapêutico. Estes incluem:

  • Obesidade Metabolicamente Saudável (OMS): Indivíduos com excesso de peso, mas sem alterações metabólicas significativas.

  • Obesidade Metabolicamente Doente (OMD): Pacientes com obesidade associada a resistência insulínica, hipertensão e dislipidemia.

  • Obesidade Sarcopênica: Caracterizada por aumento da gordura corporal e redução da massa muscular, comum em idosos.


5. Complicações Associadas à Obesidade


A obesidade está fortemente associada a uma ampla gama de doenças crônicas não transmissíveis, incluindo:

  • Doenças Cardiovasculares: Aumento do risco de hipertensão, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana e AVC.

  • Diabetes Mellitus Tipo 2: Resistência à insulina e hiperinsulinemia compensatória, levando à hiperglicemia crônica.

  • Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA): Evolução para esteato-hepatite não alcoólica e cirrose hepática.

  • Câncer: A obesidade está associada ao aumento da incidência de neoplasias como mama, próstata e colorretal.

  • Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS): Elevada prevalência em obesos, associada a maior risco cardiovascular.

  • Distúrbios Psiquiátricos: Maior incidência de depressão, ansiedade e transtornos alimentares.


6. Tratamento da Obesidade


6.1 Mudança de Estilo de Vida

  • Alimentação Saudável: Redução da ingestão de ultraprocessados e aumento do consumo de alimentos in natura, seguindo as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira.

  • Atividade Física: Exercícios aeróbicos (150-300 min/semana) associados a treinamento resistido.

  • Regulação do Sono e Gerenciamento do Estresse: Intervenções voltadas para melhora da qualidade do sono e equilíbrio hormonal.

6.2 Tratamento Farmacológico

  • Agonistas de GLP-1 (Liraglutida e Semaglutida): Efetivos na redução ponderal e melhora do perfil metabólico.

  • Tirzepatida (GLP-1 + GIP): Nova abordagem terapêutica com eficácia superior em perda de peso.

  • Orlistate: Redução da absorção de gorduras, com modesto efeito na perda de peso.

6.3 Cirurgia Bariátrica

Indicada para IMC ≥ 40 kg/m² ou IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades graves. Técnicas mais utilizadas:

  • Bypass Gástrico em Y de Roux e Gastrectomia Vertical.

Referências Atualizadas

  1. World Health Organization (WHO). Obesity and Overweight. 2024.

  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diretrizes para o tratamento da obesidade. 2024.

  3. International Diabetes Federation (IDF). Global Consensus on Obesity. 2024.

  4. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2024.

  5. American Diabetes Association (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes. 2024.

 

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