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Transfusão de Hemocomponentes


bvolsa de sabgue para transfusão em pacientes críticos

 

 

Introdução

A transfusão de hemocomponentes é um procedimento essencial na prática médica, destinado ao manejo de diversas condições clínicas que afetam o equilíbrio hematológico dos pacientes. Com o avanço da medicina transfusional, as diretrizes se tornaram mais refinadas, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento, particularmente em contextos como anemias graves, sangramentos intensos e coagulopatias. Neste capítulo, abordaremos os principais aspectos da transfusão de hemocomponentes, desde a compreensão dos grupos sanguíneos até as indicações clínicas e as reações adversas possíveis, sempre atualizados com as diretrizes mais recentes.

 

Grupos Sanguíneos e Importância na Transfusão

Os grupos sanguíneos mais relevantes para a medicina transfusional são o sistema ABO e o sistema Rh. A tipagem precisa desses sistemas é fundamental para evitar reações hemolíticas durante a transfusão.

 

- Sistema ABO: Define os grupos A, B, AB e O, com base na presença de carboidratos específicos na superfície das hemácias. Indivíduos do grupo O não possuem esses carboidratos, enquanto os do grupo AB têm ambos.

- Sistema Rh: A presença do antígeno D define um Rh positivo, enquanto sua ausência define o Rh negativo. A identificação do Rh é especialmente importante em transfusões para mulheres em idade fértil, devido ao risco de aloimunização fetal.

 

Produção de Hemocomponentes

Os hemocomponentes são derivados do sangue total, fracionados por processos de centrifugação e congelamento, e incluem:

- Concentrado de Hemácias (CH): Obtido ao remover o plasma do sangue total por centrifugação. É indicado para pacientes com anemias que comprometem a oxigenação tecidual.

- Concentrado de Plaquetas (CP): Extraído por aférese ou de unidades de sangue total. Indicado em pacientes com plaquetopenias graves.

- Plasma Fresco Congelado (PFC): Contém fatores da coagulação e é indicado para coagulopatias e intoxicação por cumarínicos.

- Crioprecipitado: Rico em fatores de coagulação como fibrinogênio e fator VIII, é essencial para casos de deficiência de fibrinogênio e doença de von Willebrand.

 

Anticoagulantes e Conservação

O uso de soluções anticoagulantes é crucial para manter a viabilidade das células sanguíneas. Soluções como CPDA-1 e aditivos como SAG-M permitem que os concentrados de hemácias sejam armazenados por até 42 dias a 4 ± 2 °C. Essas soluções preservam a função das hemácias e minimizam o risco de hemólise durante o armazenamento.

 

Indicações e Dosagem de Transfusão

As indicações para transfusão de hemocomponentes são variadas e devem ser orientadas pela condição clínica do paciente e os resultados laboratoriais:

- Transfusão de Concentrado de Hemácias: Indicada para anemias com Hb < 7 g/dL ou entre 7-10 g/dL com comprometimento clínico significativo. Cada unidade transfundida aumenta a Hb em cerca de 1 g/dL.

- Transfusão de Plaquetas: Indicada para pacientes com contagem plaquetária < 10.000/μL em situações de risco ou < 50.000/μL em procedimentos invasivos. A transfusão deve ser ajustada para o peso do paciente e a necessidade clínica.

- Transfusão de Plasma Fresco Congelado: Recomendado para coagulopatias com RNI > 1,5 antes de procedimentos invasivos. A dose geralmente é de 10-20 mL/kg para elevar os níveis de fatores de coagulação.

 

Reações Transfusionais e Gerenciamento

As reações transfusionais são complicações que podem ocorrer durante ou após a administração dos hemocomponentes. Elas podem ser classificadas em imediatas (até 24 horas após a transfusão) e tardias (após 24 horas):

- Reação Febril Não Hemolítica: Comum e causada pela presença de leucócitos no concentrado de hemácias. A prevenção é feita com a utilização de hemácias desleucocitadas.

- Reação Alérgica: Manifesta-se com prurido e urticária, sendo tratada com anti-histamínicos.

- Sobrecarga Volêmica: Ocorre em pacientes com comprometimento cardíaco ou renal. O controle é feito com diuréticos e ajuste da velocidade de infusão.

 

Testes Pré-Transfusionais

Antes de realizar uma transfusão de hemocomponentes, é mandatório executar uma série de testes para garantir a compatibilidade entre o doador e o receptor:

- Tipagem ABO/Rh(D): Confirma a compatibilidade básica.

- Prova Cruzada (Crossmatch): Avalia a presença de anticorpos que possam reagir com os antígenos das hemácias doadas.

- Pesquisa de Anticorpos Irregulares: Identifica aloanticorpos presentes no soro do paciente que possam causar reações hemolíticas graves.

 

Considerações Especiais e Populações de Risco

Em situações específicas, como gestantes e neonatos, a transfusão de hemocomponentes deve seguir protocolos rígidos:

- Mulheres em Idade Fértil: Devem receber sangue Rh negativo para evitar a aloimunização, especialmente em gestantes com fetos Rh positivo.

- Neonatos: Requerem concentrados de hemácias e plasma de doadores selecionados, com volume ajustado ao peso para evitar sobrecarga de fluidos e alterações metabólicas.

 

Pontos Importantes

- Compatibilidade ABO e Rh é essencial para todas as transfusões.

- Transfusão de CH deve ser orientada pela clínica do paciente e níveis de Hb.

- A desleucocitação de hemocomponentes reduz a incidência de reações febris.

- Reações transfusionais devem ser rapidamente reconhecidas e tratadas para minimizar complicações.

- Protocolos rígidos são necessários para populações vulneráveis, como gestantes e neonatos.

 

Referências

1. American Association of Blood Banks (AABB). Guidelines for Blood Banks and Transfusion Services. 2023.

2. Canadian Blood Services, National Advisory Committee on Blood and Blood Products (NAC). Clinical Guide to Transfusion. 2023.

3. Red Cross Blood Services. Blood Safety and Transfusion Guidelines. 2023.

4. World Health Organization (WHO). Guidelines on Hemotherapy and Transfusion Safety. 2022.

 

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